O Povo
Xukuru realiza sua Assembleia e reafirma sua luta pacífica contra as
injustiças.
O caminho para a Aldeia Pedra D’ Água não é fácil de ser
percorrido. Estrada de terra, estreita, cheia de pedras e umas duas curvas íngremes
serra acima. A natureza em volta nos mostra que o esforço vale a pena. E lá em
cima, no meio da Mata Sagrada, que os Xukurus se reúnem pela memória do seu
cacique Xikão, o Mandaru, e para jamais esquecer de quem são.
Há 17 anos o povo se reúne em Assembleia, rememora suas
lutas, debate sobre os desafios atuais e traça pontos de atuação dentro do seu
território e fora dele. A Assembleia Xukuru consegue reunir índios e não
índios, doutores, juristas, membros de movimentos sociais e autoridades
políticas. Estudantes universitários também sobem a serra para aprender com os
povos nativos e testemunhar um modelo democrático de decisão.
Esse ano foi inaugurado o Espaço Mandaru, uma grande
construção ecologicamente correta que irá abrigar todas as futuras assembleias.
O totem do índio mostra que ali ocorre o encontro de guerreiros e guerreiras da
paz, nascidos do sacrífico do Cacique Xikão, morto em holocausto a mando de
fazendeiros que julgaram de forma equivocada que privando o cacique da vida
fariam retroceder os Xukuru.
Xikão foi plantado para que do sangue dele nascessem novos
guerreiros.
E isso tem se confirmado ano a ano.
No dia 20 de maio, concluída a Assembleia, os Xukuru
realizam seu ato público, saindo da Aldeia São José, quando o cacique Marcos, o
Pajuru, abre a porteira e profere sua palavra de ordem: “E diga ao povo que
avance!” (Avançaremos, respondem com força os Xukuru) Milhares de índios a pé,
a cavalo ou em motos e carros descem a Serra em direção à Pesqueira. Eles
passam pelas ruas da cidade até chegarem ao local onde Xikão foi assassinado.
Passado e presente se encontram na construção do futuro
dessa povo indígena. Não há lamentações e choro, eles não cabem no momento
atual. O que há é a afirmação do povo indígena, reivindicações de direitos e
mobilização popular.
Nesse ano a Assembleia condenou as reformas, a falta de
diálogo e a politica contrária aos povos da floresta. Reconheceu-se que esse
governo se coloca como inimigo dos mais pobres e que é preciso força para lhe
resistir.
“Em cima de medo, coragem”, dizia o cacique Xikão.
Ao apontar para o futuro, sem medo e com o olhar altivo de
quem sabe que a luta continua, o cacique Marcos fala ao seu povo e a todos que
se opõe a injustiça e a perda de direitos:
_ E diga ao povo que avance!
Avançaremos!
Sem ódio e sem medo.
Avançaremos!
Sem nada a temer!
Avançaremos!
Linda homenagem a todos os xukuru, parabéns pela materia.
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